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Territórios de Energia: liderança jovem e cooperação multissetorial para enfrentar o futuro climático

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 1 dia



Por Paty Xavier

28.08.26



Em meio às notícias sobre os impactos do El Niño e a urgência de preparar o Brasil para um futuro climático incerto, apresento o Território de Energia Sustentável como uma iniciativa estratégica que une inovação tecnológica, justiça social e governança multissetorial.


Mais do que um projeto de microrredes de energia renovável, essa proposta se mostra como um caminho para um desenvolvimento econômico inclusivo e resiliente, capaz de garantir segurança alimentar e fortalecer a permanência da juventude no campo.


O projeto é liderado por Daniel Paixão, uma liderança preta e periférica de Paulista/PE, fundador do Hub Periférico, iniciativa privada que nasce da ONG Fruto de Favela e foca em desenvolvimento tecnológico de impacto social. Tenho a honra de coconstruir essa estratégia ao lado dele, trazendo minha experiência como sertaneja da região de Itaparica e coidealizadora da Rede GERA, que articula organizações de base e amplia a estratégia em um ambiente de governança territorial fortalecida.




A Rede GERA defende que tudo seja construído a partir da base e da realidade de quem vive, e por isso contamos com os 10 (dez) coordenadores dos projetos de irrigação sob mobilização de Luíz Emanuel — um dos coordenadores — e com o apoio do padre Luciano, que tem liderado o movimento Todos por Itaparica.

A proposta do Território de Energia se consolida a partir da aprovação desses atores e de outros agentes do território da região de Itaparica, que vivem diariamente os impactos das oscilações energéticas e da dificuldade de acesso aos recursos hídricos. Essa construção envolve cidades como Belém do São Francisco, Carnaubeira da Penha, Floresta, Itacuruba, Jatobá, Petrolândia e Tacaratu, e se fortalece com depoimentos de ativistas locais, da assistência técnica da UFRPE — representada por Orlando Júnior —, de representantes de comunidades tradicionais indígenas de Floresta e da presidente da ASSIESPE e da CESVAF, Ana Gleide Leal, que tem sido uma grande parceira e articuladora local. Esse respaldo mostra que não chegamos com soluções prontas, mas que coconstruímos com quem está no chão do território.

Sob a orientação técnica dos professores Manoel Marinho e Eduardo Sodré, especialistas da Universidade de Pernambuco (UPE) em sistemas de microgeração e armazenamento de energia (BESS), o projeto ganha robustez científica e tecnológica. Além disso, o Território de Energia é coconstruído em rede, dialogando com stakeholders diversos, como o setor privado (Axia, Moura, Neoenergia), o Sistema S (FIEPE, SENAI, SEBRAE) e sindicatos como o SINDINERGIA. Essa arquitetura multissetorial garante que a solução seja sustentável, replicável e capaz de gerar impacto econômico e social em escala.

Entre os diferenciais estratégicos, estão:


  • A resiliência climática, ao oferecer energia limpa e acessível para irrigação e produção agrícola, reduzindo vulnerabilidade às oscilações do El Niño;

  • A segurança alimentar, ao assegurar a manutenção das atividades rurais e o fortalecimento da produção local e regional;

  • A inclusão produtiva, ao tornar agricultores familiares e populações vulneráveis protagonistas da transição energética;

  • A juventude e a inovação, ao transformar o campo em espaço de tecnologia e futuro, reduzindo o êxodo rural.


O projeto também se conecta com a nova indústria verde, integrando cadeias emergentes de biocombustíveis e bioeconomia, e abre espaço para ações de recaatingamento e agroflorestas, aproveitando recursos hídricos locais para regeneração ambiental.

O Território de Energia Sustentável mostra que a transição energética pode ser inclusiva, territorializada e liderada por quem sente os impactos na pele. Ao mesmo tempo em que resolve problemas históricos, abre espaço para inovação, segurança alimentar e regeneração ambiental.


Em um Brasil que enfrenta os efeitos do El Niño e precisa se preparar para o futuro, acredito que iniciativas como essa se tornam indispensáveis, pois demonstram que é possível transformar vulnerabilidade em potência e construir territórios que sejam referência em inovação, sustentabilidade e justiça climática.




Paty Xavier

Consultora especialista em processos colaborativos e governança territorial, coordenadora executiva da Rede GERA e diretora da Rede Recria. Articuladora de soluções multissetoriais para justiça climática e inovação socioambiental.

 
 
 

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